Serão as crianças como o arco-íris?

segunda-feira, outubro 03, 2016



Já tinha pensado várias vezes para mim, que as crianças são como o arco-íris: quando menos se espera aparecem e começam a brilhar com as suas diferentes cores. Com elas, aprendi a mnemónica “vermelho vai violeta” e nunca mais me esqueci das cores do arco- íris: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta.
Por vezes as crianças são tímidas, como o arco-íris, e escondem-se atrás das pernas dos pais ou dos cortinados da casa, pois subir até ao céu e esconder-se atrás das nuvens nem sempre é muito prático. Outras vezes, gostam de brincar às escondidas e riem baixinho do seu esconderijo para quem as procura, ou fazem as delícias de quem finalmente as encontra, portanto estão sempre prontas para aparecer e desaparecer como o arco-íris. Muitas vezes são velozes nas diabruras ou charminhos que fazem e, quando vamos fazer o registo com a máquina fotográfica, antes de carregar no botão, já perdemos o momento, tal como o arco-íris que quando vamos a olhar por uma segunda vez, já se foi.
Tal como o arco-íris, cada momento da vida das nossas crianças é verdadeiramente único, não volta para trás e não se sabe quando vai voltar a acontecer, por isso é muito importante saber apreciá-lo e aceitá-lo, tal e qual como é.
Sempre achei as crianças naturalmente coloridas. Lembram-me vida, alegria e ação. A maioria delas, sem dúvida que transborda de cores, seja nas roupas, nos acessórios ou na espontaneidade colorida que as define. As crianças são as rainhas das cores!
Assim como as cores do arco-íris têm significados, aprendi que na Parentalidade Consciente, segundo o modelo LASEr, do autor Pedro Vieira, as nossas crianças também têm as suas cores predominantes. Aprendi também que cada uma dessas cores tem características que nos ajudam a compreender e a conectarmo-nos melhor com as necessidades emocionais das nossas crianças, sejam elas filhos, alunos, sobrinhos ou netos.
O modelo LASEr baseia-se em quatro cores: vermelho, laranja, azul e verde, de acordo com quatro tipos de necessidades emocionais. Segundo este modelo, as crianças têm todas as necessidades presentes, porém consegue identificar-se algumas mais evidentes, que vão ser determinantes para o bem-estar da criança. Quando estas necessidades não estão preenchidas manifestam-se em comportamentos que vão refletir essa carência. Se estivermos conscientes disto, mais rapidamente iremos ao encontro das necessidades da criança, pois compreenderemos melhor o que está por detrás do seu comportamento. As crianças têm normalmente duas cores dominantes, no entanto estas podem mudar com o tempo e com a fase de desenvolvimento da criança.
Vamos então às cores!
  • ·         Crianças “vermelhas” (Necessidade de Importância e Reconhecimento)
 * São confiantes, persistentes, líderes;
* Podem ser competitivas, adoram elogios, gostam de ser as melhores e de estar no centro das atenções;
* Têm grande necessidade de valorização pessoal, de se sentirem únicas e especiais;
* Podem ser rotuladas de egoístas, exigentes, rudes;
* Exemplo de brincadeira preferida: fazerem teatros para apresentar a adultos.

Como pode ajudar estas crianças?

Dando-lhes responsabilidades, promovendo a sua independência, desenvolvendo a sua autoestima e autoconfiança.

O que fazer em situações desafiantes?

Verificar se tem reconhecido a criança, se está a assumir responsabilidades que são dela e se lhe está a dar a independência de que ela necessita.

  • ·         Crianças “laranjas” (Necessidade de Experiência e Novidade)
 * São divertidas, exploradoras, simpáticas;
* Gostam de conhecer pessoas novas e ir a sítios desconhecidos, geralmente são bastante conversadoras não gostando de brincar sozinhas. Podem ser bastante irrequietas, com dificuldade em estarem sentadas no mesmo sítio a fazerem a mesma coisa durante muito tempo. Magoam-se frequentemente pois são quase sempre muito destemidas;
* Têm grande necessidade de experiências novas, divertidas, perigosas/desafiantes;
* Podem ser rotuladas de hiperativas, intensas;
* Exemplo de brincadeira preferida: ir a um parque aventura.

Como pode ajudar estas crianças?

Promovendo brincadeiras ao ar livre emocionantes e surpreendentes. Fazendo surpresas. Brincando conjuntamente com a criança.

O que fazer em situações desafiantes?

Refletir se terão existido demasiados momentos de rotina, se está a controlar demasiado a criança, se há uma preocupação em excesso, se tem feito brincadeiras conjuntas.

  • ·         Crianças “azuis” (Necessidade de Segurança e Conhecimento)
São reservadas, intelectuais, analíticas;
* Geralmente não reagem bem à novidade seja com situações ou pessoas. Revelam comportamentos desafiantes perante situações novas. Entretém-se muito sozinhas, preferindo brincadeiras calmas. Não gostam de ser o centro das atenções;
* Têm grande necessidade de rotinas/controlo e de aprender coisas novas;
* Podem ser rotuladas de tímidas, críticas;
* Exemplo de brincadeira preferida: ler, aprofundar conhecimentos de acordo com os seus interesses (carros, animais...).

Como pode ajudar estas crianças?

Envolver-se com a criança em atividades intelectuais (pesquisas, desafios, quebra-cabeças…), planear conjuntamente com ela ou dar-lhe sempre conhecimento dos planos que está a pensar fazer. Oferecer rotina.

O que fazer em situações desafiantes?

Perceber se tem havido estímulo intelectual suficiente, se a criança tem tido tempo para estar sozinha, se têm existido demasiadas novidades.

  • ·         Crianças “verdes” (Necessidade de Conexão e Pertença)
* São emocionais, meigas, pensadoras;
* Adoram estar com a família e geralmente o seu universo gira à volta das pessoas que a compõem. Gosta muito de contato físico: abraços, beijinhos, carinhos. Preocupa-se muito com o bem-estar dos outros;
* Têm grande necessidade de presença, proximidade e união com os seus cuidadores, dar e receber amor;
* Podem ser rotuladas de demasiado sensíveis;
* Exemplo de brincadeira preferida: brincar às “casinhas”.

      Como pode ajudar estas crianças?

Promovendo conexão diária, demonstrando afeto através do contato físico e da verbalização, envolver a criança nas tarefas da casa.

      O que fazer em situações desafiantes?
Verificar se o tempo em família tem sido suficiente, se tem estado presente em momentos suficientes com a criança, se tem demonstrado afeto frequentemente.

É importante ressalvar que este modelo é baseado em metaprogramas da PNL (Programação Neurolinguística) para obter uma descrição de padrões comportamentais. As cores servem de orientação, não existindo cores melhores nem piores e todas elas servem de guia para nos ajudar a ser melhores pais para as nossas crianças.
As crianças têm cores como o arco-íris: nem sempre se veem mas estão lá. Nós adultos também as temos. Agora que já conhece as cores e os seus significados, deixo-lhe as seguintes questões: Quais são as suas cores dominantes? Quais são as cores dominantes das suas crianças? Quais as cores dominantes da sua família? Como pode harmonizar as suas necessidades com as das suas crianças?
Boas descobertas, com melhor compreensão dos comportamentos e com relações mais felizes!

 Até já!

Este artigo tem como fonte o livro Educar com Mindfulness de Mikaela Öven



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